O título deste blog foi pensado há muito tempo, desde que a proposta de criá-lo surgiu como um desafio profissional em meu curso de pós-graduação. Professora de Lingua Portuguesa há 11 anos, convivo diariamente com a gramática e suas regras por vezes incompreensíveis, mas que merecem uma leitura mais profunda e até carinhosa. A expressão "educação a distância" parece, inicialmente, pedir crase: o a é uma preposição, a palavra que o sucede é feminina, logo parece um caso clássico de uso da crase. Entretanto, alunos mais atentos lembrarão de uma regra valiosa: as palavras casa, terra e distância, quando não determinadas, não pedem o uso da crase para indicar a preposição.
Esclarecida a regra, vamos pensar nesta expressão do ponto de vista semântico, visto não ser este um blog de dúvidas gramaticais. Qual o real significado desta "distância"? Quais seus reflexos do ponto de vista educacional? Que vantagens e desvantagens traz para o estudante? Seria a distância física um empecilho para o aprendizado?
Primeiramente, vamos pensar na definição atual de EAD: processo educativo em que a aprendizagem é realizada com a separação física-geográfica e/ou temporal entre aluno e professor. Este é um conceito básico, que não nos permite ver que EAD é um conceito pedagógico muito mais complexo, que será discutido neste blog e estará aberto a sugestões, dúvidas e quaisquer contribuições, com o intuito de pensar a EAD como uma metodologia cada vez mais importante neste mundo tão digital.
Michael Moore, já em 1972, chamava este espaço de distância transacional, pois sabia não se tratar de simples separação geográfica, ele a via como um espaço psicológico e comunicacional e afirmava haver graus distintos de distância transacional. Por outro lado, para quem é professor presencial e vivencia a sala de aula, há também o que eu chamo, muito particularmente, de "ausência presencial": o aluno está na sala mas não presta atenção, não participa e não intervém no processo. Este paradoxo me levou a expôr minhas reflexões sobre a importância da presença física do professor como determinante no processo de ensino-aprendizagem: não estaremos nós subestimando a competência do nosso aluno ao pensar que ele depende da presença constante de um professor para aprender?
Não se trata, em absoluto, de recomendar a extinção da figura do professor, pelo contrário, ele ainda existe na EAD como um tutor, ou seja, a aprendizagem não dispensa um mediador, pois não é uma tarefa simples ou automática, trata-se de uma construção e, como tal, precisa de uma equipe. A intenção deste blog é discutir os diversos aspectos desta metodologia, além de compartilhar informações e promover a interação entre leitores, mostrando, na prática, que a distância não impede a comunicação, interação ou aprendizado do ser humano: se bem conduzida, a aprendizagem ultrapassa quaisquer fronteiras.
Olá Vanessa
ResponderExcluirTudo bem?
É mesmo muito importante lembrar que o professor não esta fisicamente em sala de aula, mas a aula é transmitida ao vivo por um canal de televisão, e o tutor presencial esta fisicamente na sala de aula para fazer a mediação, enviar as dúvidas e perguntas dos alunos e também para ajudá-los na elaboração dos trabalhos, e o aluno do ensino EaD conta também com a ajuda do tutor a distância.
Parabéns pelo blog.
Abraços!
Priscila
Muito boa a tua colocação, visto ser a EaD ainda pouco conhecida por muitos: o conceito que se tem é de um aluno solitário em frente a um computador. Cabe a nós divulgarmos a realidade e a riqueza de possibilidades que esta metodologia oferece. Valeu pela participação!
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